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Parceria

MDS e IFCE lançam projetos de desenvolvimento social

Projetos serão desenvolvidos em Fortaleza, Icapuí e Maracanaú

Publicada por Marcelo Costa em 16/06/2026 Atualizada em 16 de Junho de 2026 às 22:32

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) destinou aproximadamente R$2 milhões em investimentos para ampliar oportunidades de qualificação profissional, inclusão social e geração de renda para a população cearense. As ações serão desenvolvidas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em Fortaleza, Icapuí e Maracanaú. As três ações foram celebradas nesta terça-feira, dia 16, em solenidade no campus de Fortaleza.

O projeto Orquestra Escola atuará na formação de jovens músicos para a economia criativa na capital cearense. Entre as ações, a formação da orquestra, curso de instrumentos musicais e capacitações de empreendedorismo que serão ministrados em escolas estaduais de tempo integral. Já o projeto Mulheres que Tecem Renda e Inspiram Vidas capacitará as artesãs de Icapuí para agregar valor à produção local, numa ação do campus de Aracati, em parceria com a Prefeitura de Icapuí. Para o reitor do IFCE, Wally Menezes, não se trata apenas de projetos, mas de demonstrações concretas de como o talento, o respeito à cultura e a valorização das potencialidades locais podem gerar desenvolvimento e riqueza para a sociedade.

Em Maracanaú, o programa Acredita no Primeiro Passo/Eu Quero Mais, uma parceria do MDS, da Prefeitura de Maracanaú e do IFCE, ofertará quase 1.600 vagas em cursos distribuídos em 26 áreas de qualificação profissional para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O objetivo é promover a capacitação profissional com foco na empregabilidade, no empreendedorismo e na inclusão socioeconômica. Entre os cursos ofertados estão manutenção de celulares, manutenção de ar-condicionado, cuidador de idosos, confeitaria, entre outros.

Presente ao evento de lançamento, a diretora-geral do campus de Fortaleza, Adriana Guimarães, lembrou a saída do Brasil do mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU) e destacou que o desafio agora é avançar no desenvolvimento social, promovendo mais oportunidades para o crescimento econômico e social da população.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, afirmou que “tirar da fome é só o primeiro passo” e que, superada a insegurança alimentar, é a Educação que vai “abrir as portas” para a saída da extrema pobreza. Ele defendeu, ainda, o cooperativismo como um caminho para o crescimento dos pequenos produtores e destacou que o Governo do Brasil retirou 26,5 milhões de pessoas da situação de fome.

Orquestra escola

Entre flautas, clarinetes, acordeões e outros instrumentos, a música pode gerar renda e profissionalização para jovens a partir de 15 anos. Esse é o objetivo do projeto Orquestra Escola, que vai viabilizar o ensino dos instrumentos de corda e sopro em escolas públicas da Rede Estadual de Ensino, estimulando o empreendedorismo musical.

“Não é apenas um projeto artístico”, explica o coordenador pedagógico do projeto e professor do IFCE - campus de Fortaleza Rubens Tadeu, ao ressaltar que a formação vai estimular a inserção desses jovens no mercado da economia criativa e contribuir para geração de renda. Estão previstas inicialmente 120 vagas. O público-alvo são jovens inscritos no Cadastro Único do Governo Federal. O projeto terá duração de um ano e investimento da ordem de R$ 350 mil.

Segundo o regente da orquestra, professor Marcelo Leite, a aquisição dos instrumentos possibilitará que cada estudante pratique individualmente com o equipamento adequado. Além disso, o projeto servirá como campo de estágio para alunos da Licenciatura em Música do campus Fortaleza, possibilitando a articulação entre teoria e prática. A Orquestra Escola também atuará na democratização do acesso à música com apresentações em áreas periféricas da capital.

Entre fios, sonhos e mundo

O projeto Mulheres que Tecem Renda e Inspiram Vidas será coordenado pela Técnica em Assuntos Educacionais, Juarina Silveira, do campus de Aracati. Ela destaca que essas mulheres já sabem fazer o labirinto, o crochê e a renda de bilro, mas precisam agregar valor econômico às suas atividades. “Precisam aprender sobre empreendedorismo, precificação, compreender o marketing digital”, explica.

E é justamente no fortalecimento de suas atividades produtivas e na ampliação do acesso a mercados que o projeto atuará. Serão 60 mulheres beneficiadas, todas inscritas no Cadastro Único do Governo Federal. A iniciativa é voltada prioritariamente para rendeiras, labirinteiras e crocheteiras, especialmente chefes de família, e prevê ações como a aquisição coletiva de insumos para redução de custos, a organização da produção de acordo com as demandas do mercado e o planejamento da participação em feiras estratégicas. Dessa forma, o projeto contribui para a valorização do artesanato local, a geração de renda e a autonomia das participantes. O investimento é da ordem de R$ 400 mil.

Além disso, a iniciativa o projeto atuará para manter viva em Icapuí uma tradição que foi reconhecida recentemente como Patrimônio Imaterial do Ceará: o Ofício da Renda de Bilro. Maria Nasirene Lopes, 67 anos, é uma das seis rendeiras que trabalham com bilro no município. Desde 10 anos de idade, as mãos habilidosas dela dominam a arte das linhas. Dona Nasirene quer garantir a continuidade desses saberes, para que o bilro possa “ir para frente”. “Amo fazer a renda. É meu sonho poder ensinar muitas pessoas e esse projeto vai nos ajudar”, conta.

E assim, o IFCE vai saindo dos seus muros, entrando nas comunidades, encontrando saberes e contribuindo para o desenvolvimento local.

Por Manuella Nobre (Fortaleza)

Palavras-chave:
Aracati Fortaleza Maracanaú

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