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Biodiversidade marinha

Projeto do IFCE faz registro inédito de tartaruga-oliva em Paracuru

Filhotes identificados durante monitoramento de ninho na Praia da Pedra Rachada foram reconhecidos pela contagem das placas da carapaça

Publicada por Andressa Souza em 27/10/2026 ― Atualizada em 27 de Outubro de 2026 às 18:55

Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (3)
Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (3)

Equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) registrou pela primeira vez a desova de tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) em Paracuru, um marco para o conhecimento da biodiversidade marinha do estado. A descoberta ocorreu durante o monitoramento de um ninho na Praia da Pedra Rachada, realizado na primeira temporada reprodutiva de 2026 pela Rede Maré Viva, iniciativa do projeto de extensão Amigos do Mar, que atua na pesquisa e conservação de tartarugas marinhas no litoral cearense.

A identificação ocorreu quando a equipe de monitoramento acompanhou a eclosão do ninho e realizou os procedimentos necessários para a liberação segura dos filhotes. Durante a atividade, os integrantes reconheceram características morfológicas compatíveis com a tartaruga-oliva, espécie que ainda não tinha registro oficial conhecido de desova no município. Até então, os dados locais apontavam apenas para a ocorrência da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), espécie ameaçada de extinção cujos ninhos são monitorados pela Rede (saiba mais aqui).

A professora Luciana de Castro, coordenadora do projeto Amigos do Mar, destaca que “do ponto de vista científico, a ausência de registros anteriores conhecidos não significa, necessariamente, que a espécie nunca tenha ocorrido na região”. Porém, a identificação da espécie, cuja concentração de desova costuma ser na Bahia e em Sergipe, amplia o conhecimento sobre a diversidade de tartarugas marinhas que utilizam o litoral de Paracuru durante o período reprodutivo e levanta novas questões sobre a distribuição dessas populações na costa cearense.

Características dos filhotes orientaram a identificação

Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (2)
Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (2)

O reconhecimento da espécie foi realizado inicialmente por meio da contagem das estruturas da carapaça. Os filhotes observados apresentavam mais de seis placas laterais, um diagnóstico visual característico das tartarugas-oliva.

Embora a identificação visual seja uma ferramenta importante no trabalho de campo, a equipe também coletou material biológico para análise genética. O exame de DNA deverá contribuir para confirmar a identificação e fornecer informações adicionais sobre a relação entre os animais registrados em Paracuru e outras populações de tartarugas marinhas do Brasil.

Após a avaliação, a equipe seguiu os procedimentos de manejo e conservação aplicáveis, com base nos protocolos técnicos do Projeto TAMAR e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para liberação segura dos filhotes. “O momento também foi acompanhado por banhistas que estavam na praia e se aproximaram para assistir ao acontecimento não planejado, aproximando a comunidade de uma experiência importante para a conservação da biodiversidade marinha”, relata a professora Luciana de Castro.

Rede Maré Viva

Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (1)
Registro inédito de espécie tartaruga-oliva em Paracuru pelo IFCE (1)

O registro ocorreu no contexto do acompanhamento sistemático das praias de Paracuru pela Rede Maré Viva. A equipe é formada por estudantes e docentes do IFCE e desenvolve atividades de monitoramento e conservação com autorização do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO).

A Rede Maré Viva é uma parceria entre o campus Paracuru do Instituto Federal do Ceará, as Secretarias de Turismo e Meio Ambiente, a Prefeitura de Paracuru, a gestão das Áreas de Proteção Ambiental e a participação ativa da comunidade local. A atuação é uma continuidade do trabalho desenvolvido pelo projeto de extensão Amigos do Mar desde 2018, que reúne educação ambiental, pesquisa e ações de conservação dos ecossistemas costeiros. A iniciativa articula estudantes, professores, poder público e moradores em atividades que envolvem desde o monitoramento da fauna até a redução dos impactos da poluição marinha.

A participação social também é importante para o projeto. “A Rede Maré Viva não faz ciência sozinha. O trabalho conta com o agradecimento e o apoio fundamental de bugueiros, pescadores, donos de barracas e moradores de Paracuru, bem como das instituições e demais parceiros que somaram forças ao longo do caminho. Todos são verdadeiros guardiões das praias nessa conquista coletiva”, destaca a professora Luciana de Castro.

Palavras-chave:
Extensão Paracuru Pesquisa Projeto Amigos do Mar Rede Maré Viva

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