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Tecnologia e gastronomia

Pesquisa reaproveita resíduos do caju para fabricação de biscoitos nutritivos

Estudo transforma a fibra da fruta, normalmente descartada, em ingrediente para preparações simples, nutritivas e de baixo custo

Publicada por Andressa Sanches em 20/05/2026 Atualizada em 20 de Maio de 2026 às 08:35

Em uma abordagem alinhada aos princípios da sustentabilidade e do aproveitamento integral de alimentos, uma pesquisa desenvolvida no campus de Baturité do Instituto Federal do Ceará transforma um resíduo agroindustrial do caju em matéria-prima para a produção de biscoitos. A iniciativa parte da ressignificação da fibra da fruta, subproduto normalmente descartado após a extração do suco, convertendo-o em um ingrediente funcional aplicado em preparações acessíveis, nutritivas e inovadoras.

Lorena Lopes, criadora dos biscoitos à base de fibra de caju (Foto Filiphe Átila)
Lorena Lopes, criadora dos biscoitos à base de fibra de caju (Foto Filiphe Átila)

A pesquisa integra o Trabalho de Conclusão de Curso da estudante Lorena Lima Lopes, da graduação tecnológica em Gastronomia da unidade, sob a orientação da professora Josefranci Moraes de Farias Fonteles, Doutora em Biotecnologia Industrial (RENORBIO/UECE). O estudo, intitulado “Aproveitamento tecnológico do caju na elaboração de biscoitos de alto valor agregado”, encontra-se em fase final de ajustes textuais para posterior publicação na biblioteca institucional. 

A fibra de caju utilizada foi obtida por meio de parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical, que cedeu o material com apoio da pesquisadora Dra. Ingrid Vieira Machado de Moraes. A proposta da pesquisa está alinhada ao aproveitamento integral de alimentos, utilizando um subproduto que normalmente seria descartado após a extração do suco do caju, transformando-o em ingrediente para preparações simples, nutritivas e de baixo custo.

Feira do Conhecimento 2025
Feira do Conhecimento 2025

Os biscoitos foram produzidos com ingredientes acessíveis (farinha de trigo, manteiga, açúcar, ovos, fermento e leite) tendo como diferencial a adição da fibra de caju desidratada. De acordo com a pesquisa, a fibra não comprometeu o sabor, contribuindo para boa textura e aceitabilidade. Do ponto de vista nutricional, o produto apresentou baixo valor energético, cerca de 117 kcal por porção de 30 g. O estudo também aponta potencial de aplicação dos biscoitos em contextos como merenda escolar, lanches saudáveis, preparações fitness e comercialização, considerando o baixo custo de produção. A escolha do tema dialoga com o perfil empreendedor de Lorena, que já desenvolve preparações doces de forma independente e vislumbra futuramente empreender na área gastronômica.

Análise sensorial

Análise sensorial dos biscoitos de fibra de caju na FdC (Foto Filiphe Átila)
Análise sensorial dos biscoitos de fibra de caju na FdC (Foto Filiphe Átila)

Durante a Feira de Conhecimento realizada em novembro de 2025, no Centro de Eventos do Ceará, a pesquisa foi apresentada ao público através de uma análise sensorial. Para a ação, foram produzidos aproximadamente 300 biscoitos amanteigados, elaborados na padaria do campus, utilizando fibra de caju desidratada como ingrediente principal.

Durante a degustação, o público recebeu uma ficha técnica sensorial e registrou suas percepções por meio de um formulário eletrônico, avaliando critérios de aceitação global e intenção de compra. Os resultados indicaram elevada aprovação, com mais de 93% dos participantes demonstrando aceitação positiva do produto.

A degustação utilizando fibra de caju é um tema que já foi explorado anteriormente em outras instituições, como na dissertação de mestrado desenvolvida por Diogo Henrique Maximo Portela, ex-servidor do campus, que também trabalhou com a aplicação da fibra em preparações alimentícias. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao aproveitamento integral de alimentos e à inovação gastronômica.

Perspectivas e continuidade das pesquisas

Lorena e colegas estudantes pesquisadores de Baturité (Foto Filiphe Átila)
Lorena e colegas estudantes pesquisadores de Baturité (Foto Filiphe Átila)

As expectativas em torno do uso da fibra de caju são positivas e apontam para a ampliação de sua aplicação em novas preparações e pesquisas no campus de Baturité. Além do trabalho de Lorena Lopes, outras iniciativas já estão em andamento utilizando a mesma matéria-prima.

Destaque para o projeto de Iniciação Científica (PIBIC/FUNCAP) do estudante Pedro Demétrio Neto, do curso de Tecnologia em Gastronomia, com vigência 2025–2026. A pesquisa tem como objetivo o desenvolvimento de uma coxinha de base vegetal, com recheio à base de fibra de caju, em substituição às proteínas de origem animal. O projeto prevê análises físico-químicas e avaliação sensorial do produto, ampliando o conhecimento científico sobre a aplicabilidade da fibra em preparações salgadas, nutritivas e de baixo custo.

Outros docentes do campus também vêm sendo convidados a aplicar a fibra de caju em diferentes contextos gastronômicos, fortalecendo a pesquisa colaborativa e interdisciplinar. Assim, a utilização da fibra de caju consolida-se como uma linha de pesquisa promissora no campus, com potencial para gerar novos produtos, publicações científicas, ações de extensão, empreendedorismo e fortalecimento das parcerias institucionais com a Embrapa.

A diretora-geral do campus Baturité, professora Lene Maia, destacou a relevância das pesquisas desenvolvidas na instituição que têm o caju como objeto de estudo, reforçando o compromisso do campus com o desenvolvimento regional. Segundo a gestora, investigar o potencial do caju, fruto emblemático do Ceará e de grande importância econômica para o Maciço de Baturité, significa investir em inovação, sustentabilidade e geração de renda por meio, principalmente, da agricultura familiar.

Texto: Inácio Oliveira (agencia@ifce.edu.br)

Fotos: Filiphe Átila

Fontes: Josefranci Fonteles (josefranci@ifce.edu.br), Lorena Lopes (lorena.lopes05@aluno.ifce.edu.br)

Palavras-chave:
Gastronomia tecnologia de alimentos