XI EENEABI
Oficinas do XI Encontro de NEABIs promovem vivências sobre ancestralidade, cultura afro-brasileira e educação
A programação de oficinas do XI Encontro de NEABIs do IFCE reuniu atividades voltadas à valorização dos saberes ancestrais, das manifestações culturais afro-brasileiras e indígenas e das práticas educativas antirracistas.
Publicada por Alissa Cendi em 06/11/2026 ― Atualizada em 6 de Novembro de 2026 às 17:37

Sob uma chuva de flores da timbaúba, árvore ancestral dos povos indígenas originários, um grupo de estudantes de diversos campi do IFCE se reuniu nesta sexta-feira (6) para participar da oficina Sons de Terreiro. A atividade foi conduzida por João Ulisses Filho, conhecido como João do Crato, acompanhado de Gugu Gois, MacGyver (Pedro da Silva) e David Samuel.
A proposta foi abordar os batuques de terreiro e apresentar diferentes ritmos de origem africana e indígena, além de compartilhar experiências relacionadas ao maracatu. Segundo Samuel, a atividade buscou promover um diálogo sobre os ritmos tradicionais, suas raízes e sua presença no cotidiano, além de proporcionar uma troca de conhecimentos com o público participante.
Essa e outras 14 oficinas compuseram a programação da 11ª edição do Encontro Regional dos NEABIs do IFCE. As atividades ocorreram nos campi do IFCE em Crato e Juazeiro do Norte, com experiências práticas e reflexões sobre identidade, memória, pertencimento e diversidade. A proposta foi aproximar os participantes de conhecimentos transmitidos entre gerações e destacar a contribuição dos povos negros e indígenas para a formação cultural brasileira.
Entre as vivências culturais, a oficina Coco Macaúba, conduzida pelo Grupo URUCONGO, explorou ritmos, cantos e passos da dança, destacando sua relação com os territórios e as ancestralidades dos povos indígenas do Cariri cearense. A oficina Tranças Nagô, com Clara Iohanna Sousa Rodrigues, abordou a história dos penteados como expressão de identidade e resistência negra. Já Rezas e Benzimentos, com João Paulo de Sousa Lima, discutiu a oralidade, a espiritualidade e o cuidado comunitário. A programação também incluiu Mateu (Reisado), com Pedro Esdras Lucena, que abordou a memória afro-brasileira na cultura popular, e Maculelê, com Emerson de Melo Freitas, que explorou movimentos, cantos e a história dessa manifestação cultural.

Comida e religiosidade
Na oficina Acarajé, conduzida pelas mães de santo Kacylewa e Oya Gambelecy, destacou-se a importância da ancestralidade, da oralidade e da preservação dos saberes das religiões de matriz africana, transmitidos entre gerações por meio da convivência e da participação nas atividades dos terreiros.
Uma das formas de preservar o culto à ancestralidade é por meio da culinária, com a preparação de alimentos destinados a honrar e oferecer aos orixás. Segundo as ministrantes, o acarajé é geralmente associado a Iansã (Oyá) e Xangô, além de apresentar conexões com Exu.
Ao final da oficina, Mãe Kacylewa ofereceu alguns acarajés a Exu, com a intenção de abrir caminhos, atrair boas energias e afastar os maus espíritos.

Cultura, educação e cidadania
Outras atividades promoveram a aproximação entre cultura e educação. A oficina Etnomatemática, conduzida por Regilânia da Silva Lucena, integrou a programação dedicada às relações entre conhecimento e cultura. Regilânia destacou que a atividade apresenta diferentes formas de manifestação da matemática, como as presentes nos adinkras, ideogramas da cultura africana que carregam significados filosóficos e tradicionais.
Segundo ela, esses símbolos remetem à filosofia africana e a seus provérbios, além de possibilitarem o estudo de conceitos matemáticos, como simetria, padrões geométricos, rotações e translações de figuras.
A oficina Jogos Africanos de Tabuleiro, realizada no Campus Juazeiro do Norte e conduzida por Maria Icleide Viana Silva, trabalhou estratégias, raciocínio lógico e cooperação a partir de jogos tradicionais de povos africanos.
Por fim, a atividade Arakantú: o som que atravessa o tempo — Gamificação desligada para uma educação musical cidadã, conduzida por Laís Costa Rocha, propôs uma experiência coletiva de educação musical com desafios sobre as origens indígenas e africanas da música brasileira, o protagonismo feminino, a resistência à ditadura, a diversidade LGBTQIAPN+, os direitos humanos e a ecologia.
Arte em foco
A programação contou ainda com atividades voltadas à produção artística e à formação. A oficina Territórios em Foco: Fotografia, Cultura e Identidade, conduzida por Geovany Brasil, relacionou fotografia e narrativas culturais. Já Heteroidentificação, conduzida por Sóstenes Renan de Jesus Carvalho e Maria de Jesus do Nascimento, discutiu identidade racial, colorismo, racismo estrutural e os procedimentos das políticas de ações afirmativas.
Já a oficina Break Dance, também realizada no Campus Juazeiro do Norte, abordou a dança urbana como expressão da cultura negra, da juventude e da resistência às desigualdades raciais.
Em conjunto, as atividades fortaleceram o diálogo sobre as histórias, as lutas e os conhecimentos de diferentes povos, ressaltando a importância da educação para o reconhecimento da diversidade e o enfrentamento ao racismo.
Texto: Amanda Alboino
- Palavras-chave:
- NEABI