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EENEABI

XI Encontro dos Neabis reúne participantes de 27 campi

A programação foi concluída neste sábado com afroturismo e feijoada

Publicada por Sheyla Lacerda em 07/11/2026 ― Atualizada em 7 de Novembro de 2026 às 15:16

Palestra de abertura EENEABI
Palestra de abertura EENEABI

O Encontro dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabis) do IFCE reuniu estudantes, servidores, pesquisadores, integrantes de movimentos sociais e representantes de povos e comunidades tradicionais em uma programação dedicada às discussões sobre as relações étnico-raciais.

Com o tema “Território Kariri: identidade, religiosidade e memória”, o evento foi realizado de 4 a 7 de novembro no campus Crato do IFCE, registrando 482 inscritos. As atividades incluíram três palestras, três mesas-redondas, 14 oficinas, a apresentação de 134 trabalhos científicos, além de atrações artísticas e culturais.

A integrante do Neabi do campus Crato, Jade Nunes, explicou que a organização começou há um ano. Segundo ela, o trabalho resultou em expressiva participação estudantil e reuniu representantes de 27 campi, proporcionando a troca de experiências, a avaliação das iniciativas em andamento e a apresentação de novas ideias.

A palestra de abertura “Neabis como Espaço de Resistência, Pesquisa e Extensão” foi proferida pela pesquisadora Antônia Gabriela Pereira Araújo (Fiocruz), com a mediação da chefe do Departamento de Extensão Social e Cultural do IFCE (DESC-Proext), Cristiane Sousa.

Ao falar sobre o encontro, Cristiane destacou que o evento agrega dimensões acadêmicas, científicas e culturais, sendo a presença de pessoas desses diversos lugares do Ceará essencial nesse compromisso com a educação antirracista. "Continuamos caminhando e fazendo enfrentamentos nesse local de resistência que é o Neabi. A luta contra o racismo é coletiva e necessária, vai permanecer, por isso a gente continua se aquilombando”, afirmou.

Apresentação Filhos de Dandara
Apresentação Filhos de Dandara

De acordo com a coordenadora de Diversidade e Igualdade racial do IFCE, Tatiane Barros, esses encontros fortalecem a parte acadêmica por meio da apresentação dos trabalhos científicos desenvolvidos pelos integrantes dos Núcleos, que possuem produção nas áreas de pesquisa, extensão, ensino e inovação tecnológica. “A educação antirracista envolve essa complexidade de coisas que a gente faz. O Neabi é esse lugar onde, a partir da educação antirracista, a gente promove expectativas para o futuro", disse.

Loja de Inconveniências IF
Loja de Inconveniências IF

Entre essas iniciativas inovadoras, estava o projeto de extensão do campus de Tabuleiro do Norte “Loja de Inconveniências IF”, que despertava a atenção de quem passava. A instalação funciona como uma loja, mas no lugar de entregar produtos comuns, proporciona a experiência visual e tátil que conduz à reflexão crítica sobre violências e preconceitos naturalizados. A aluna do curso de Letras, Eliane Ordonio, explica que o projeto já existe há um ano e foi inspirado em uma campanha realizada por uma empresa privada paulista. No entanto, o projeto do curso de Letras, coordenado pela professora Talita Ferreira, criou os produtos com material reciclável e aborda questões discutidas pelo Neabis e Núcleos de Gênero e Diversidade Sexual (Nugeds). “Envolve a formação dos estudantes, do público e a itinerância, tudo é montado de uma forma que a gente pode levar para onde precisar”, complementa Talita.

Durante o evento, a pró-reitora de Extensão, Ana Cláudia Uchôa, também ressaltou a trajetória dos núcleos ao lembrar o legado da professora Anna Erika Ferreira (in memoriam), que contribuiu para a construção dos 33 Neabis do IFCE. “Longa vida a esse encontro, aos Neabis e ao sonho da Anna Érika que se realiza em cada um de vocês , em cada um de nós”, disse. Ana Cláudia comentou ainda a importância de celebrar afrobrasilidades e afrocearensidades em um território tão pulsante como o Cariri.

Mesa-redonda Território Kariri: Identidade, Memória e Resistência
Mesa-redonda Território Kariri: Identidade, Memória e Resistência

Entre os estudantes, a atuação dos núcleos se traduz em várias oportunidades de aprendizagem. Pedro Iago, do curso técnico em Informática, conta que integra o Neabi do campus Crato desde que ingressou no IFCE. “Participo de tudo que o Neabi faz, sempre pensamos sobre a valorização das tradições e da cultura afro-brasileira e indígena”, disse.

Vitória Rodrigues, aluna do curso de Matemática do campus de Juazeiro, concorda. Para ela, ao participar do evento como monitora foi possível aprimorar o trabalho em equipe, a organização, a comunicação e lidar com a imprevisibilidade. “Como a gente aprende na matemática a solucionar problemas de forma criativa, também vão surgindo outras variáveis na construção dos eventos”, comparou.

(Fotos: João Biliu, Rodrigo Brasil, Carlos Queiroz)