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Geografia

Pesquisa de professor do IFCE analisa produção de alimentos nos Sertões de Crateús

O artigo foi publicado na Revista Contexto Geográfico e utiliza dados do Censo Agropecuário para comparar a produção em estabelecimentos rurais de diferentes tamanhos na região.

Publicada por Felipe Lima em 14/09/2026 ― Atualizada em 14 de Setembro de 2026 às 17:26

A produção de alimentos e a estrutura fundiária nos Sertões de Crateús são temas de um artigo científico publicado pelo professor do IFCE campus Crateús Claudemir Martins Cosme, na Revista Contexto Geográfico, periódico da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Intitulado “Estrutura fundiária, disputas territoriais e protagonismo da agricultura camponesa na produção de alimentos nos Sertões de Crateús-Ceará-Brasil”, o estudo analisa dados do Censo Agropecuário de 2017 para investigar a participação de pequenos e grandes estabelecimentos rurais na produção agropecuária da região. A publicação ocorreu em 5 de agosto de 2026 e está disponível aqui.

O levantamento realizado pela pesquisa abrange treze municípios que compõem a microrregião dos Sertões de Crateús: Ararendá, Catunda, Crateús, Hidrolândia, Independência, Ipaporanga, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Poranga, Santa Quitéria e Tamboril. Para desenvolver a análise foi realizada uma revisão bibliográfica sobre a questão agrária brasileira e utilizou dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Um dos aspectos investigados no artigo é a distribuição das terras entre estabelecimentos de diferentes dimensões. Segundo os dados apresentados, os estabelecimentos com menos de cinco hectares representam 61, 2% das 37.715 unidades agropecuárias da região, mas ocupam apenas 3,3% da área total. Nos outros estabelecimentos com mil hectares ou mais representam 0,3% do total e concentram 18% da área agropecuária dos Sertões de Crateús.

A pesquisa compara essa estrutura fundiária com a participação dos diferentes grupos na produção de alimentos. Em 2017, os estabelecimentos com menos de cinco hectares responderam, por exemplo, por 43,88% do milho, 55,03% do feijão-fradinho e 64,68% da melancia produzidos na região. E para os com mil hectares ou mais responderam por 0,89%, 0,34% e 0,77% dessas produções. O estudo também analisou os rebanhos ovino, caprino, suíno e bovino, além da produção de leite.

A partir desses dados, o artigo evidencia o protagonismo dos pequenos estabelecimentos associados à agricultura familiar camponesa na produção de alimentos nos Sertões de Crateús, mesmo ocupando uma parcela reduzida das terras. A análise também relaciona a atual estrutura fundiária ao processo histórico de ocupação do território e às disputas pela terra na região, incluindo a formação de assentamentos rurais.

O estudo está relacionado ao projeto “Sementes de Transformação: produção agroecológica e educação ambiental a partir das casas de sementes e quintais produtivos nos sertões de Crateús e Inhamuns/CE”, aprovado na Chamada CNPq nº 01/2025, de apoio a Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs). Ao discutir os resultados encontrados, o artigo também aponta a necessidade de novas pesquisas de campo para aprofundar a análise sobre a utilização das grandes propriedades rurais e sobre os impactos da estrutura fundiária na produção de alimentos e no desenvolvimento da região.

Claudemir Martins

Docente e coordenador do curso de Geografia do IFCE campus Crateús, o professor Claudemir Martins é líder do Núcleo de Pesquisas e Estudos Geográficos dos Sertões de Crateús (Nupeg). O professor é doutor em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco e mestre em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado sanduíche na Universidade Federal de Sergipe. Atualmente concentra os estudos no campo da Geografia Humana, com interesse nas seguintes temáticas: Ensino,Teoria e Método em Geografia, Questão Agrária, Região Nordeste e Semiárida, Movimentos sociais, Conflitos Territoriais, Agroecologia, Juventude e Mulheres camponesas e Turismo Comunitário no espaço agrário.

Publicação científica

A Revista Contexto Geográfico é um periódico científico da área de Geografia vinculado à Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por meio do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (IGDema), unidade acadêmica da universidade. O artigo possui 21 páginas e integra o volume 11, número 26, da publicação. O seu principal propósito é a difusão de conhecimento e o debate em um espaço aberto para todos aqueles que se interessam, pensam e fazem pesquisas no âmbito do interesse da Ciência Geográfica, em diferentes circunstâncias, de todas as correntes teórico-metodológicas e linhas de pensamento.

Atualmente, a revista é publicada exclusivamente de forma eletrônica e possui periodicidade semestral. Além de artigos científicos, relatos de experiências e práticas, resenhas bibliográficas, notas e comunicações de interesse para seu público, eventualmente pode publicar também dossiês sobre temas específicos, entrevistas, transcrições e traduções.

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