Pesquisa sobre potencial farmacológico do lúpulo avança no IFCE
Projeto em cooperação com a Universidade da Madeira (Portugal) ganha desdobramentos
Publicada por Elinaldo Rodrigues em 22/09/2026 ― Atualizada em 23 de Setembro de 2026 às 08:31

O potencial farmacológico do lúpulo (Humulus lupulus L.) ganhou a atenção de pesquisadores do IFCE com estudos baseados em plantios experimentais no Ceará e no Rio Grande do Norte, cujos resultados podem favorecer desdobramentos e perspectivas nos âmbitos acadêmico, social e econômico. O trabalho avançou a partir do projeto coordenado pelo professor Samuel Pedro Dantas Marques, do campus de Aracati, aprovado em chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do CNPq. Em sua fase atual, a pesquisa agrega, ainda, a investigação sobre as propriedades de flores e folhas e também de resíduos de lúpulo gerados pela indústria cervejeira para combater pragas em plantas cultivadas no Brasil e na Ilha da Madeira (Portugal), de forma a atuarem como defensivos agrícolas e minimizar a utilização de agrotóxicos sintéticos.

Em relação ao campo da farmacologia, o professor Samuel Pedro Dantas Marques ressalta que foram demonstradas “diferentes propriedades farmacológicas, com potencial para o aprofundamento de estudos que visem o desenvolvimento de produtos farmacêuticos e nutricionais, associados a diferentes doenças crônicas e degenerativas estudadas para os extratos de lúpulo”. Além disso, segundo ele, está em avaliação se os constituintes do lúpulo podem atuar como potenciais fármacos contra obesidade através de estudos de inibição com a enzima lipase. E não para por aí: recentemente um dos doutorandos que integram o projeto, embarcou para Portugal, imerso no doutorado sanduíche junto à Universidade da Madeira, para trabalhar com kombuchá funcional, utilizando folhas de lúpulo e de café produzidos no Brasil e em Portugal.

A espécie (Humulus lupulus L.) já é amplamente explorada pela indústria cervejeira. O Brasil é dependente da importação do produto, desembolsando cerca de meio bilhão de reais por biênio. Diante disso, os pesquisadores envolvidos visualizam amplas perspectivas do ponto de econômico e social, em possíveis desdobramentos do projeto. “Os resultados demonstraram que a produção de lúpulo no Brasil se mostra viável nas localidades avaliadas, demonstrando a possibilidade para a expansão da área plantada no país, de forma a diminuir a dependência de importação de lúpulo (cerca de 0,5 bilhão de reais por biênio) e gerar desenvolvimento no campo”, avalia o professor Samuel.
Resultados promissores
Dentre os resultados do ponto de vista do potencial farmacológico, foram observadas diferentes propriedades para os extratos através de testes de inibição enzimática e do potencial antioxidante. De acordo com o professor Samuel, “todas as amostras demonstraram elevada capacidade em inibir o efeito de radicais livres, avaliados por diferentes metodologias, demonstrando o potencial dos constituintes químicos do lúpulo em minimizar o stress oxidativo no organismo”. Ele informou ainda que “as amostras também demonstraram elevada capacidade em inibir as enzimas acetilcolinesterase e alfa-glicosidase, associadas ao tratamento de Alzheimer e diabetes mellitus tipo II, sendo as bioatividades para algumas amostras superiores aos fármacos de referência”. Os resultados das atividades farmacológicas verificadas para as folhas de lúpulo estão compilados em um manuscrito em fase de correção da supervisora no exterior (professora Paula Castilho, da Universidade da Madeira) a ser submetido em breve.

Ampliação da cooperação
O projeto é resultado de aprovação em chamada pública do MCTI/CNPq nº 16/2024 - Apoio a Projetos Internacionais de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação, relativo ao Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior. Principal parceira do projeto, a Universidade da Madeira (Portugal) foi a instituição de destino na missão empreendida pelo professor Samuel Pedro. Também integram o projeto, como parceiros institucionais, a Universidade Federal do Ceará, por meio do Programa de Pós-graduação em Química e o Centro Alemão de Pesquisas com o Câncer (DKFZ, Alemanha). Conta ainda com a EMBRAPA (Fortaleza), produtores de lúpulo das regiões Nordeste, Sudeste e Sul e do Viveiro de mudas Lupulus Ninkasi.
As possibilidades de ampliação da cooperação interinstitucional em torno do projeto foram abordadas em reunião, realizada no mês passado, na Reitoria do IFCE, com a participação das colaboradoras científicas e representações das instituições parceiras, as professoras Paula Castilho (Universidade da Madeira - Portugal) e Maria Teresa Trevisan (Universidade Federal do Ceará), além do reitor Wally Menezes, bem como pró-reitores e diretores dos campi de Tianguá e Baturité; além de colaboradores ligados a secretarias do governo do estado do Ceará. Na ocasião, além do projeto em questão, foram discutidos o desenvolvimento de plantios experimentais de lúpulo em campi do IFCE, bem como a possibilidade de assinatura de acordos de cooperação científica formais com a Universidade da Madeira.
Elinaldo Rodrigues - Campus de Aracati