Cultura
IFCE Quixadá recebe debate sobre valorização dos saberes tradicionais
Fala discute o reconhecimento do notório saber e reforça iniciativa pioneira do IFCE na inclusão de mestras e mestres da cultura popular
Publicada por Rebeca Cavalcante em 26/03/2026 ― Atualizada em 26 de Março de 2026 às 18:29
O campus de Quixadá do Instituto Federal do Ceará (IFCE) recebeu, na tarde desta quinta-feira (26), a fala aberta “Justiça epistêmica: o notório saber de mestras e mestres das culturas tradicionais e populares nas instituições culturais cearenses”, realizada no mini-auditório da instituição. Em um contexto em que o IFCE recentemente instituiu a titulação de Notório Saber, tornando-se o primeiro da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a adotar essa política, esse debate reforça a necessidade de diálogo entre saberes acadêmicos e tradicionais.

A conversa reuniu os mestres Chico Emília - do reisado da comunidade Boa Água - e Erasmo Barreira - profeta da chuva -, estudantes do IFCE de Quixadá e da Escola de EEMTI Cônego Luiz Braga Rocha (de Ibaretama), além de servidores e interessados na temática. Promovida pelo Sobrado Dr. José Lourenço, equipamento vinculado à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), a atividade foi conduzida pelo tutor da pesquisa Aterlane Martins, também professor do campus de Quixadá, e pela pesquisadora Luciane Ângelo.
De acordo com Aterlane, essa ação “fortalece o papel do campus como espaço de diálogo entre educação, cultura e sociedade, especialmente no reconhecimento dos saberes tradicionais e populares como parte fundamental da construção do conhecimento”. A iniciativa integra uma pesquisa sobre a presença e a atuação de mestres e mestras das culturas tradicionais e populares nas instituições culturais cearenses, com foco no próprio Sobrado.

A investigação busca produzir e sistematizar dados sobre essas experiências, além de promover uma reflexão qualificada sobre práticas institucionais que reconhecem e incorporam o chamado notório saber - conhecimento construído fora dos espaços formais de ensino, mas socialmente validado e transmitido por meio da oralidade, da prática e da relação com o território. Nesse contexto, a noção de justiça epistêmica aparece como eixo central, ao propor o reconhecimento e a valorização de diferentes formas de produção de conhecimento, historicamente marginalizadas.
Durante o encontro, foram discutidos os desafios e as possibilidades de inclusão desses saberes nas políticas públicas de cultura e educação, bem como a importância de ampliar a participação de mestres e mestras em espaços institucionais. A proposta é contribuir para processos mais inclusivos, que reconheçam a diversidade de saberes e promovam maior equidade no acesso e na produção do conhecimento.
Notório Saber no IFCE
A realização da atividade no IFCE de Quixadá dialoga diretamente com a recente implementação do Notório Saber na instituição. Com a formalização dessa titulação, mestres e mestras da cultura popular poderão ser reconhecidos oficialmente, com possibilidade de remuneração e certificações equivalentes a títulos acadêmicos, além de participação em atividades de ensino, pesquisa e extensão.
A iniciativa também prevê a realização de editais anuais para concessão das titulações e a articulação de um consórcio nacional, em parceria com o Ministério da Cultura, voltado ao mapeamento e fortalecimento de práticas relacionadas ao Notório Saber em todo o país.