Internacionalização
Aluna do Renoen embarca para intercâmbio na China
Renata foi aprovada em seleção da Capes para doutorado sanduíche
Publicada por Manuella Silva em 09/02/2026 ― Atualizada em 12 de Fevereiro de 2026 às 11:10
Entre malas, livros e expectativas, a pesquisa atravessa oceanos. A matemática ganhou sotaque internacional com o embarque, no último domingo, 8, da doutoranda Renata Teófilo de Sousa para Macau, na China. Estudante do Doutorado em Ensino da Rede Nordeste de Ensino (Renoen) / IFCE - campus de Fortaleza, ela realizará doutorado sanduíche na University of Saint Joseph (USJ), onde permanecerá até julho.
Primeira discente do programa a conquistar uma vaga no Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Renata inaugura um novo capítulo na história do Renoen no IFCE. O doutorado sanduíche permite que parte da pesquisa e do desenvolvimento da tese seja realizada em uma instituição de excelência no exterior, ampliando horizontes acadêmicos e científicos.

Minha trajetória sempre esteve ligada à educação pública e à convicção de que a escola é um espaço de transformação social.
A seleção ocorreu em duas etapas. Primeiro, a aprovação interna no Renoen/IFCE, que avaliou mérito acadêmico e aderência do projeto. Em seguida, a seleção nacional da Capes. A bolsa é integralmente financiada pela agência federal de fomento à pesquisa, com acompanhamento institucional por meio da plataforma Linha Direta.
A pesquisa de Renata está situada no campo do Ensino de Matemática e propõe caminhos para integrar a Matemática às Ciências da Natureza (Química, Física e Biologia) no ensino médio. A partir de fenômenos socialmente relevantes, como aquecimento global, consumo energético e sustentabilidade, a proposta rompe com a fragmentação curricular e aposta na interdisciplinaridade como estratégia pedagógica.
Nesse percurso, a doutoranda desenvolveu dois construtos teóricos: a Modelagem Científica Integrada (MCI), que compreende a matemática como linguagem estruturante dos fenômenos científicos, e o MODELIN, modelo metodológico voltado à prática em sala de aula. O foco é oferecer aos professores da educação pública percursos formativos mais conectados com a realidade dos estudantes. “Em vez de disciplinas isoladas, o estudante aprende a partir de problemas reais, mobilizando conhecimentos de várias áreas de forma articulada”, explica a doutoranda.
A escolha da China não é casual. O país é referência mundial em educação STEM, área que integra ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Na USJ, Renata será supervisionada pelo professor Dr. João Alexandre Lobo Marques, com apoio de docentes da School of Education. Já no IFCE, a orientação é do professor Dr. Auzuir Ripardo de Alexandria.

Esse movimento fortalece o processo de internacionalização do RENOEN, um dos eixos centrais de consolidação dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil.
Para a professora Ana Karine Portela, coordenadora do Renoen, o intercâmbio representa um marco institucional. “Trata-se da primeira discente enviada pelo PDSE no âmbito do Renoen/IFCE, inaugurando uma inserção internacional qualificada e fortalecendo o processo de internacionalização do programa”, destaca.
Segundo a coordenadora, a experiência tende a qualificar a tese, ampliar a produção científica e abrir caminhos para novas cooperações internacionais, acordos bilaterais, projetos em rede, novas candidaturas ao PDSE e a outros editais de fomento à internacionalização. “Não é apenas uma conquista individual, mas um avanço estruturante para o Renoen, que formou seus primeiros doutores em 2025”, afirma.
Ser mulher na ciência e na educação também faz parte da minha identidade profissional. Acredito no protagonismo feminino como força transformadora dentro da escola e da universidade.
Professora efetiva da rede estadual do Ceará desde 2014, Renata construiu sua trajetória na educação pública. Formada em Matemática pela Universidade Vale do Acaraú (UVA) e egressa do Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática do IFCE - campus de Fortaleza, ela defende a pesquisa como extensão do compromisso com a sala de aula. “Pesquisar não é se afastar da escola, é aprofundar o compromisso com ela”, resume.
Entre Ceará e China, a ciência segue em movimento. E, com ela, a convicção de que o conhecimento só faz sentido quando retorna à sociedade.
Por Manuella Nobre (Fortaleza)
- Palavras-chave:
- Matemática RENOEN internacionalização