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Artigo discute uso de Inteligência Artifical no diagnóstico de Alzheimer

Trabalho foi apresentado no Enicit 2024 e discute beneficio da tecnologia para profissionais de saúde e pacientes

Publicada por Francisco Lima em 26/12/2025 Atualizada em 26 de Dezembro de 2025 às 14:55

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva, que atinge a

memória, o comportamento e a autonomia das pessoas. Não tem cura,mas o tratamento

pode contribuir para redução do ritmo da perda de capacidades e proporcionar uma melhor

qualidade de vida a quem convive com a doença. Segundo o Ministério da Saúde, nos

estágios graves, o cuidado precisa ser ainda mais presente e o acesso a medicamentos

eficazes se torna um aliado fundamental.Para ajudar na detecção da doença, a tecnologia é

um forte aliado.

No IFCE Cedro, foi produzido o artigo “Identificação de alterações em exames de

ressonância magnética por meio de Segmentação de imagens para detecção da Doença de

Alzheimer”,cujos autores são os alunos Amanda do Nascimento Correia, Daniel Teixeira da

Silva,Francisco Erivando Bezerra Barbosa,Maria Danielly Benício de Araújo e os

professores Francisca Jamires da Costa e Michael Lopes Bastos.

O trabalho foi apresentado no Encontro de Iniciação Científica e Tecnológica

(Enicit),realizado de 18 a 19/11 de 2024, em Fortaleza, por meio da submissão de um

resumo simples derivado deste artigo.Durante a apresentação, foram abordados os

principais conceitos sobre a Doença de Alzheimer, o papel do processamento digital de

imagens no diagnóstico, além das duas ferramentas utilizadas no trabalho — Roboflow e

Ultralytics YOLOv8. Também foram expostas imagens representativas dos resultados

obtidos, evidenciando o desempenho do modelo e a evolução da acurácia.

A produção é fruto de um trabalho da disciplina de Processamento Digital de Imagem, do

quarto semestre do curso de Sistemas de Informação e é ministrada pelo professor Michael

Lopes Bastos. De acordo com o docente,a expectativa é que o assunto possa ser

novamente discutido e um novo trabalho possa ser produzido pelos alunos.”A gente busca

sempre incentivar que isso aconteça, até por meio de projeto de pesquisa, para que a gente

possa ampliar esses projetos, desenvolver artigos, patentes no futuro”, afirma o docente.

Segundo a aluna Amada Correia, “O interesse surgiu por experiências pessoais. Pois um

dos integrantes(Maria Danielly) possui um familiar que possui a doença. Além disso,

entendemos a relevância da temática, tendo em vista que o Alzheimer é um grande desafio

na saúde pública. Dessa forma, o tema despertou a curiosidade nos membros da equipe

para entender de que modo a tecnologia pode influenciar e auxiliar nesse contexto”,destaca

Amanda.

Amanda apresentou o artigo e explica que inicialmente houve uma revisão bibliográfica a

fim de identificar quais as técnicas aplicadas a imagens e quais as ferramentas de

segmentação poderiam nos auxiliar na detecção precoce das alterações cerebrais.

Estruturou-se um banco de imagens que serviria de suporte para o treinamento e validação

do modelo, realizando o pré-processamento necessário (redimensionamento, ajustes de

contraste, aplicação de escala de cinza e aumento de dados).

“Só então partimos para a implementação das ferramentas escolhidas, no caso o Roboflow

e o Ultralytics YOLOv8, que permitiram treinar, validar e analisar a evolução do modelo ao

longo das épocas. Esse preparo garantiu que o estudo fosse conduzido com base em

fundamentos teóricos sólidos e em práticas metodológicas adequadas, aumentando a

confiabilidade dos resultados”, explica a discente.

Ainda de acordo com a aluna, o uso de processamento de imagens tem aplicação em várias

áreas da medicina e promove avanços importantes no diagnóstico, como por exemplo nas

áreas de oncologia, cardiologia,oftalmologia,ortopedia.

Na área de oncologia, por exemplo, ajuda na identificação precoce de cânceres em exames

como mamografias e tomografias, o que eleva as chances de um tratamento bem-sucedido.

Em cardiologia, facilita a interpretação de imagens do coração e dos vasos sanguíneos,

permitindo a detecção de obstruções e enfermidades coronárias. No campo da oftalmologia,

contribui para o reconhecimento de glaucoma e retinopatia diabética por meio de exames

digitais da retina. Na ortopedia, aprimora a clareza das radiografias, tornando mais fácil a

análise de fraturas e problemas ósseos. Além disso, é útil na neurologia para condições

como esclerose múltipla, epilepsia e tumores no cérebro.

Na etapa de revisão constatou-se que o processo de digitalização de imagens indica que as

imagens médicas digitais não devem ser visualizadas diretamente sem algum tipo de

processamento. É preciso implementar fases de pré-processamento e segmentação, que

ajudam a aprimorar a qualidade visual, destacar estruturas relevantes e simplificar a análise

pelos especialistas.

Em todos esses setores, a maior vantagem reside no auxílio de diagnósticos que são mais

ágeis, precisos e confiáveis, beneficiando diretamente tanto os pacientes quanto os

profissionais de saúde.

Na avaliação dos estudantes participantes, as técnicas permitem a extração de dados

significativos das imagens,como mudanças estruturais e morfológicas, que podem estar

relacionadas a doenças.O processamento digital de imagens ajuda a detectar atrofias e

depósitos anormais no cérebro mais cedo em pacientes com Doença de Alzheimer, o que

torna o diagnóstico mais preciso e melhora o acompanhamento clínico.